Inteligência Multifocal

A teoria da Inteligência Multifocal (TIM) de Augusto Cury tem como objetivo estudar o complexo processo de interpretação da realidade, isto é, como percebemos a nós mesmos e o mundo. Essa investigação do processo de interpretação leva o nome de multifocal porque estuda a construção dos pensamentos em seus múltiplos aspectos, tanto conscientes, como inconscientes.

O objetivo da TIM é fortalecer a consciência crítica e a capacidade gestora do EU diante dos processos inconscientes que distorcem a realidade e levam ao adoecimento emocional por conta de crenças unifocais, isto é, crenças que enxergam os eventos sob um único ângulo e, com isso, desconsideram outros aspectos vitais para as relações intra e interpessoais saudáveis.

A TIM contempla em seus estudos quatro linhas: 1) A Natureza e o processo de construção dos pensamentos; 2) Os papéis conscientes e inconscientes da memória; 3) A formação do EU como líder do teatro psíquico e 4) O desenvolvimento das funções mais complexas da inteligência, como saber expor e não impor suas ideias, saber colocar-se no lugar do outro, educar e proteger suas emoções, gerenciar os pensamentos, reeditar o filme do inconsciente, contemplar o belo, liberar a criatividade e desenvolver inteligência existencial e resiliência, entre outros.

Educar e proteger a emoção, portanto, constitui uma das funções mais complexas da inteligência socioemocional, segundo a TIM. O EU só poderá ampliar sua interpretação da realidade e gerenciar seus pensamentos e suas emoções se desenvolver habilidades mentais que o ajudem a exercer o papel de gestor psíquico diante desses processos inconscientes.

Assim, de acordo a TIM, para o desenvolvimento da inteligência socioemocional é necessário o treinamento de uma inteligência multifocal, isto é, uma inteligência que integre tanto habilidades emocionais e sociais quanto cognitivas, que compreenda tanto os aspectos conscientes quanto inconscientes da construção dos pensamentos, e que considere, por fim, que o ser humano não é só o produto da memória, mas também construtor dessa memória, na medida em que exercita ser o autor de sua própria história.